quinta-feira, 13 de maio de 2010

Entrevista com Boris Kossoy

Foto: Luiz Eduardo Achutti

Em meio às pesquisas na internet, me deparei com esta entrevista realizada pelo Globo Universidades com o fotógrafo e professor Boris Kossoy em 15/03/2010. Incluo parte dela aqui porque reflete parte do meu pensamento sobre a era digital. Vejam:

GU – Hoje, na era do digital, estamos vivendo um momento de obsessão social pela produção e posse de quantidades crescentes de fotos. Como essa compulsão pelo registro fotográfico se reflete na atividade dos fotógrafos?

BK – Há mesmo uma verdadeira febre epidêmica, mas que gera poucas imagens interessantes. E isso vale tanto para o fotógrafo amador como para o profissional. Houve um tempo em que o fotografo saía com uma pauta levando “x” rolos de filme. Ele tinha que resolver o assunto com aquilo. O que isso fazia com a cabeça do indivíduo? Fazia, no mínimo, com que ele pensasse um pouco. Ele tinha que economizar, tinha que registrar a grande cena. E se tivesse preparo e talento, podia resolver a história toda num filme, em 36 poses, o que outros não resolveriam com 300 fotos. Não tenho nada contra as novas tecnologias e também comprei o meu equipamento digital, apesar de preferir o filme. Mas ter na mão uma câmera digital não precisa fazer de você alguém que a utiliza como uma metralhadora. Muitos fazem isso porque têm graves deficiências de formação. É mais ou menos como pular da árvore para o computador. Nunca se produziu tanta foto, mas quando se fala no que já se fez de melhor com uma câmera, os nomes citados ainda são os mesmos: (Eugène) Atget, Robert Capa, Cartier- Bresson, Eugene Smith, Walker Evans...

A pergunta é: qual a qualidade iconográfica, histórica e estética das imagens que são produzidas hoje em dia? Qual o papel da fotografia na vida das pessoas? Qual a motivação que leva as pessoas a fotografarem/ se fotografarem??

Fica aí a questão!

Para conferir a entrevista na íntegra, acesse: http://globouniversidade.globo.com/GloboUniversidade/0,,AA1709160-8745,00.html

Fonte da imagem: http://www6.ufrgs.br/memoria/banco/image.php?page=1&gallery_id=25&image_id=331

quarta-feira, 12 de maio de 2010

E a fotografia digital??

Bem, depois de ler alguns artigos sobre fotografia, preservação, história, etc, me deparei com uma questão: e a fotografia digital? O que ela modificou na relação do homem com a imagem?

Abaixo, um trecho da narração do documentário "Rio de Memórias", que trata da história da fotografia e de como as imagens registradas pela luz mostravam as mudanças sociais e estruturais que aconteciam no Rio Antigo:

"Este novo invento ou descobrimento é uma verdadeira revolução nas artes do desenho. A natureza aparece, retratando-se a si mesma, copiando as suas obras assim como as da arte. Não em painéis inconstantes e fugitivos, como são os rios e os lagos, mas em matéria própria, que retém o simulacro do objeto visível, e o fica repetindo, com a mais cabal semelhança, ainda depois de ausente. Foi o homem que forçou a natureza a este milagre novo e inesperado."

Esse trecho trata das primeiras fotografias. O homem ainda estava assombardo com a ideia de conseguir apreender o mundo dentro de uma imagem fiel e perfeita. Até aqui, pessoas não eram fotografadas por conta do longo tempo de exposição que era necessário para que a luz afetasse o material sensibilizado e produzisse a imagem. Apenas a natureza era o tema dos fotógrafos. As pesquisas avançaram, e retratos começaram a ser feitos. Muitas pessoas achavam que fazia "mal" ser fotografado, porque a fotografia apreenderia a "alma" da pessoa fotografada, entre outros mitos.

Nascemos em um mundo onde a fotografia já era coisa natural: pelo menos nos anos 80, década em que eu nasci, todo bebê tinha um álbum de fotos, muito bem pensadas.. uma com cada membro da família, nas festas de aniversário em volta da mesa do bolo. Fotografia era algo caro, mas muito prezado pelas famílias. Hoje em dia os bebês tem verdadeiros books: foto do nascimento, da primeira roupa, do primeiro sorriso, dormindo, acordando, comendo... é quase um "diário do bebê". Documenta-se tudo. Acabaram as fotos "montadas", e se uma não ficar do agrado do freguês, apagamos e fazemos outra na mesma hora. A fotografia deixou de ser "surpresa" guardada para a hora da revelação.

Amo a tecnologia, adoro as câmeras digitais e a rapidez que temos de acessar a imagem final, porém temo quanto à conservação dessas imagens. A integridade da imagem tornou-se vulnerável na era digital, quer seja quando arquivamos fotos em mídias digitais (cds, dvds, hds, pen-drives, etc), quer quando manipulamos as fotografias digitalmente, criando outras imagens. Para o campo das artes isso é ótimo. Os artistas possuem diversas possibilidades plásticas que agregam a fotografia de maneira formidável. Mas e a memória? E a documentação histórica? Que cuidados tem sido tomados em nossos arquivos?
Tenho fotos em minha casa que datam de 1905, 1915.... fotos de bisavós, meus avós.. materiais que chegaram até mim. E as imagens feitas hoje? Até onde chegarão?

Fica aí a pergunta...... e fiquem à vontade para comentar....

terça-feira, 11 de maio de 2010

Situando...

Olá! Sejam bem-vindos!!!

Estou escrevendo minha monografia de conclusão de curso (até que enfim! rs). O tema é "A fotografia como preservação da memória cultural". Na verdade, tenho interesse pela fotografia desde criança. Adorava folhear os álbuns de família, e não me cansava de perguntar "Quem é esse mamãe?" várias vezes. Cresci dando um valor imenso aos vários registros que encontrava na casa dos avós, tios... fui guardando, conservando, arquivando, e de uns tempos pra cá comecei a observar a importância que uma imagem tem sobre a narrativa de uma história. Alguns fatos históricos ou culturais só são realmente compreendidos quando existem imagens a serem analisadas. A fotografia sempre foi e continuará sendo um instrumento poderoso no registro da história de uma sociedade, dos costumes de um povo. Por mais que se descreva como as mulheres se vestiam nos anos 20/30, nada substitui uma fotografia. Como já diz o ditado: "Uma imagem fala mais que 1.000 palavras". E o que as imagens falam hoje?
Com a invenção e popularização da fotografia, diga-se enorme popularização com a chegada das câmeras digitais super acessíveis ($$$), somos bombardeados 24 h por imagens publicitárias na tv, em anúncios impressos, e principalmente na internet.

Pensando nisso, algumas questões surgiram a mim, o que me motivou a criar esse blog.

São elas:

Qual o sentido da fotografia?
Por qual motivo as pessoas fotografam?
Com o avanço tecnológico, com a velocidade da informação, o que mudou em relação ao registro da imagem (não falo aqui do sentido técnico, mas do sentido que motiva o registrar da imagem)?

Hoje em dia as pessoas (eu me incluo... rs) fotografam praticamente TUDO! Nada mais passa sem ser registrado. Esses trilhões de imagens estão armazenados em mídias digitais, em blogs, em sites de relacionamento, no celular. Enfim... quanto vão durar? Qual o sentido de guardá-las? Que intenção/ preocupação há quando se fotografa? Ouço muitas pessoas falarem: "Essa vai pro orkut!"

Gostaria de saber a sua opinião!

QUAL A SUA RELAÇÃO COM A FOTOGRAFIA?
POR QUE VOCÊ FOTOGRAFA?
QUAL O SENTIDO DA FOTOGRAFIA PARA VOCÊ?

Opine... várias vezes se precisar! Sua opinião é a matéria-prima para a minha pesquisa.

Por favor, inclua seu nome no comentário!

E esse é só o primeiro post...